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Checagem da Checagem da queima da bandeira do Brasil em Curitiba

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No último dia 1, segunda-feira, aconteceram no Brasil diversas manifestações convocadas por movimentos ‘antifas’. Inspirados pelos protestos que estão acontecendo já há uma semana nos Estados Unidos após a morte de um homem negro em uma abordagem policial. 

Em determinado momento da manifestação que acontecia em Curitiba, aconteceram atos de vandalismo e a polícia acabou intervindo, como sempre.  Diversas imagens passaram circular nas redes sociais mostrando o momento em que uma bandeira do Brasil, hasteada no Palácio do Iguaçu, a sede do governo do Paraná, foi arrancada do mastro e queimada pelos manifestantes. 

As agências de checagem “Fato ou Fake” do G1, “Agência Lupa” da Revista Piauí, “Estadão Verifica” do Estadão e até o E-farsas, que não é uma agência de checagem propriamente dita, mas conta com o prestígio de seu pioneirismo na área, fizeram uma verificação se uma foto em específico era falsa. 

 

Todas as checagens concluíram que a foto era verdadeira, mas que não era do evento dessa semana, mas de protestos do Movimento Passe Livre, em 2016. No quadro a seguir, as conclusões de cada agência: 

Agência Veredito
Fato ou Fake Falso
Agência Lupa Falso
Estadão Verifica Fora de Contexto
E-farsas Fora de Contexto

Só que ao lermos cada uma das checagens percebemos que não há nenhuma tentativa de mostrar se o fato de a bandeira foi queimada ou não. E diversos internautas passaram a questionar esse fato. A queima da bandeira aconteceu?

Sim, aconteceu. Existem dezenas de imagens e até filmagens da queima da bandeira. Há a divulgação feita pela Polícia Militar da bandeira queimada, existe a declaração em rede social do prefeito de Curitiba, Rafael Greca, condenando a queima da bandeira, e existem os vídeos que não deixam dúvida. Um adolescente envolvido na queima chegou a ser preso pela PM. Reportagem do jornal Tribuna do Paraná, mostra que o ato, além de ser crime, gerou prejuízo de R$ 1,7 mil aos cofres públicos.

 

Fonte: Divulgação/ Polícia Militar

Fonte: Divulgação/ Polícia Militar

O problema da checagem feita por essas agências está no fato de que isso atrapalha o debate público quando elas escolhem um conteúdo específico para checar, tratando com preciosismo fatos que a rigor são falsos nas especificidades, mas dentro de um contexto de verdade. Se existem dezenas de imagens do ocorrido, por que escolheram justamente a que era falsa? A razão é simples e o Estadão Verifica mostra em seu site:

“O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.”

Uma publicação da página no Facebook chamada “O Brasil do Bem” mostra um policial resgatando uma bandeira. O Facebook censurou a publicação com base numa checagem que constatou que o fato não ocorreu nos últimos dias. Embora a publicação tenha margem para interpretação falsa e possa  fazer com que o leitor se confunda, pensando que o fato ocorreu recentemente, não há menção nenhuma na descrição da publicação de que aconteceu agora. Mesmo assim foi censurada e isso é um erro. 

A tentativa de manipulação aí é clara, e mostra mais uma vez o perigo do poder que é outorgado a agências verificadoras com poder de censura. O primeiro princípio que uma agência de checagem se compromete a seguir para obter a certificação do International Fact Checking Network (IFCN) é justamente a imparcialidade e o apartidarismo, mas não é isso o que vemos acontecendo. 

 

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