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Como o BBB cutucou a ferida dos militantes, ou: finalmente um experimento social!

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Créditos Imagem: pixabay.com

O Big Brother Brasil surgiu na virada do milênio como um experimento social inovador: pessoas seriam confinadas numa casa e o seu verdadeiro eu seria revelado, como um minhocário mostrando o caminho que as minhocas fazem dentro da terra.  Muita gente caiu nessa, e eu fui um dos que, instigados pela presença do consagrado jornalista Pedro Bial, resolvemos dar uma chance ao programa. E foi isso, uma chance. Após a primeira temporada e parte da segunda, percebeu-se que se tratava de diversão inútil e vazia.

Nada contra, mas o fato é que o verdadeiro experimento social ali era: como pessoas pagam pay-per-view para assistir outras pessoas… dormindo? Ou seja, os ratos de laboratório éramos nós, não os confinados na casa. Deveria ser um grande sacrifício viver confinado com lindas mulheres, comendo e bebendo do bom e do melhor e, quando sair, ser adorado pela população e tratado como herói por Bial. 

Pois bem, tudo mudou recentemente. Embora o BBB ainda possa ser classificado como cultura inútil, finalmente o experimento social foi aplicado. Quem assiste e quem não assiste sabe do que eu tô falando. Boninho, o Grande Irmão do BBB, conseguiu transformar o programa numa rinha de militantes e conseguiu gerar um engajamento histórico. O local que deveria ser o paraíso pois, segundo a militância de esquerda, negros, LGBTs, mulheres e demais minorias são anjos inocentes e homens brancos, cis e héteros são a encarnação do cramulhão e a origem de todo mal na terra, tornou-se um inferno. Chegando ao ponto de um participante negro, LGBT e de origem humilde ter que sair de lá tal era a pressão e a tortura psicológica que sofria, justamente daqueles que dedicavam a vida a supostamente defende-lo.

A saída de Nego Di e Karol Conká, com seu índice recorde de rejeição, deveria ser um marco do fim do identitarismo no Brasil. Tipo a queda de Bastilha, ou a invasão de Constantinopla pelos turcos, saca? Deveria, mas não vai. A militância agora tira o seu da reta, diz que na verdade eles nunca foram militantes e que deturparam a verdadeira militância. Lembram do “deturparam Marx” da saudosa Luciana Genro do PSOL? Essa falácia é muito útil a quem comete sempre o mesmo erro, mas se desculpa dizendo que o verdadeiro [insira uma ideologia] ainda não foi tentado.  Mas que agora vai, mesmo que mais alguns milhões tenham que morrer.

A tentativa de manipular a realidade foi exposta na cara dura. A mentira tornou-se um modus operandi trivial desse pessoal que, escorando-se na amnésia dos demais animaizinhos da fazenda, pintou e bordou na mente da galera por muito tempo. Algo que faria o Grande Irmão corar.  

Não é como se existissem milhares de Lumenas espalhadas pelas universidades do Brasil cagando regra de como as pessoas devem viver cada aspecto de suas vidas como o que falam, o que comem e como criam seus filhos. 

Não é como se a arrogância e o preconceito de Karol Conká não fosse comum a militantes extremistas, que afastaram familiares e amigos só porque não votaram no seu candidato preferido. E não é como se tudo isso não fosse denunciado e alertado há tempos, e quem o fazia era taxado como intolerante e automaticamente era execrado pelo status quoCancelem o Cancelamento! Conclama agora o Quebrando o Tabu na esperança de ter o seu lombo poupado pela turba raivosa que ele mesmo alimentou. Fico feliz com o chamado, mas pasmo com a cara de pau. 

Que haja mais diálogos e menos cancelamentos. Que haja tolerância e menos mimimi. Que possa acontecer um pacto pelo respeito e ao diferente. As veias da sociedade brasileira estão expostas, resta saber se essa oportunidade será utilizada para aplicar-lhe a cura ou ainda mais veneno. A ver.

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