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Pessoas são enganadas em esquema de venda de iPhones pela internet

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Publicações em redes sociais cooptam novas pessoas para o esquema, fazendo várias vítimas.

Imagine que você está desempregado, com diversas contas atrasadas e não há nenhuma perspectiva de que essa situação vá melhorar. Surge então uma proposta sedutora: trabalhar em casa apenas navegando nas redes sociais e compartilhando conteúdo. Seria o emprego dos sonhos, certo? Diversas pessoas caíram em um sofisticado golpe que, de um lado, prometia excelentes ganhos, com pouco esforço, de outro, celulares muito abaixo do preço de mercado. 

Foi o que aconteceu com a dona de casa Jade Michelle, de 28 anos e que está grávida de 7 meses. Ela nos conta que viu uma publicação no facebook onde era oferecida a vaga de ‘divulgador’ para uma empresa de celulares, a iPlace, loja física e online especializada em produtos da Apple. A proposta era tentadora: compartilhar um conteúdo fornecido pela empresa em 10 grupos por dia, o valor seria de R$ 30,00 por dia a ser pago semanalmente.  

publicação no Facebook feita por Jade

 Publicação no Facebook feita por Jade.

No dia 13 de fevereiro, ela iniciou o trabalho. Todo dia deveriam ser enviados prints com a comprovação dos compartilhamentos para o Whatsapp da responsável pela empresa: uma pessoa que dizia se chamar Laura, que fazia esse contato. 

Mas as coisas  não saíram bem como ela imaginava. Após uma semana de trabalho, Laura e um homem que dizia se chamar Thiago, suposto vendedor da loja iPlace, não respondiam mais às mensagens de Jade. Foi aí que ela percebeu que tudo não passava de um golpe. 

“Estou muito chateada, pois caí no golpe, fiquei sem o valor que tinha para receber. Não posso comprar as coisas da minha bebê, pois a renda do meu marido só dá para pagar as contas. Eles me devem R$ 260,00, valor que eu iria utilizar para comprar o enxoval da minha bebê”, lamenta Jade.

 

Conversa de Jade com a suspeita

 

O mesmo aconteceu com Jéssica e Maikon Douglas, também moradores de Tatuí. Eles contam que passaram pelo mesmo processo: 

“Eu vi uma publicação num grupo no facebook e tinha um número de contato. A moça que me atendeu informou que a ideia era fazer divulgação dos produtos deles na internet. Depois de uma semana, eu entrei em contato com eles, mas só visualizaram. Falei com iPlace e eles disseram que fizeram boletim de ocorrência. Semana que vem eu começo a estudar e estou morando na casa de um amigo meu. Por isso o interesse.”, revela Maikon.

A motivação Jéssica para este emprego era não precisar sair de casa.

“Tenho uma criança de 1 ano e não estava conseguindo creche. Eu tenho um menino de 12 e meu marido tem mais 2, são 4 filhos no total. Só meu marido trabalha, como gari, e não recebe tanto. Fui atrás disso, pois como fico em casa e mexo com computador e celular, pensei: ‘Cuido das crianças e fico em casa trabalhando, também’”.

Mais uma vítima desse caso foi a estudante Bianca Bissolli (18), moradora de Piracicaba (SP). Comprou um iphone, mas nunca recebeu. Teve o primeiro contato com os golpistas através do compartilhamento de Jéssica.  O IPhone escolhido por ela seria o XR, no valor de R$ 3.458,00, com uma entrada de 590,00. O depósito foi feito em uma conta da Caixa Econômica Federal. Os golpistas enviaram um código de rastreio do aparelho, mas a encomenda não chegou. Diante da situação, Bianca lamenta:  “Enganada, burra por cair num golpe desse, decepcionada”. Espera conseguir o seu dinheiro de volta e que os suspeitos paguem pelo que fizeram.

Comprovante de pagamento efetuado por Bianca

Comprovante de pagamento efetuado por Bianca

Entramos em contato com os suspeitos, por telefone, e simulamos o interesse na compra de um celular. Um deles se identificou como Thiago e nos ofereceu uma tabela com alguns aparelhos da Apple. 

tabela de preços

tabela de preços

Os celulares dessa tabela aparecem com preços abaixo do mercado, alguns cerca de R$ 2 mil a menos que o preço encontrado no próprio site da iPlace. O suspeito nos forneceu um número de conta corrente do Banco do Brasil. A conta está em nome de uma pessoa que é moradora de Parobé (RS), mesma cidade da outra pessoa a quem Bianca fez o depósito, a mando dos suspeitos. Acreditamos que ambos são laranjas e, por isso, omitiremos os seus nomes para assegurar a esses o direito de presunção de inocência.

Após o pagamento o aparelho deveria ser retirado na loja iPlace, localizada no Shopping de Passo Fundo (RS).

Conversa com os suspeitos

Entramos em contato com a loja. Eles confirmam que têm conhecimento do golpe, desde o final de novembro. Dizem que diversos clientes, ao caírem no golpe, vão à loja buscar os aparelhos. Os lojistas dizem que já fizeram BO, mas afirmam que a responsabilidade é apenas dos falsários. Se negaram a fornecer o número do boletim de ocorrência. 

Também entramos em contato com a central do iPlace, e eles nos enviaram a seguinte nota: 

“A iPlace informa que não promove anúncios de trabalho em casa, já registrou boletim de ocorrência sobre estes fatos e a Polícia Civil está tratando o assunto”. Mas também se negaram a fornecer à nossa reportagem o número do boletim de ocorrência ou a delegacia onde foi realizada a denúncia. 

Procuramos nas duas delegacias da Polícia Civil de Passo Fundo e nenhuma soube informar sobre esse caso.

 


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