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Professor de yoga é falsamente acusado pela ativista Sabrina Bittencourt e tem a vida destruída

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Drama de André DeRose é desvendado pela primeira vez.

“Foram 5 anos buscando justiça! 5 anos procurando dar paz ao meu filho. O preço foi alto, custou muitas noites de preocupação, custou um pouco da minha saúde, custou dentes e hematomas, custaram acusações baixas e fraudulentas, custou meu nome e o meu trabalho, custou uma escola, custou a nossa paz conjugal, custou muita tristeza ao meu filho, custou até para amigos e alunos, que a cada notícia, torciam para um desfecho minimamente bom para nós. Em dinheiro nem sei quanto custou…”.

 Este foi o desabafo feito no Facebook, dia 6/2, pelo professor de yoga, André de Rose, após o resultado do processo de guarda do seu filho.  Falsas acusações de ‘abuso’,  termo usado de uma forma genérica  pela acusadora e ativista Sabrina Bittencourt, circularam na internet em janeiro de 2019. 

Professor de yoga e morador da cidade de São Paulo, André De Rose teve a vida destruída.  Foi incluído, juntamente com seu pai, Luiz De Rose, famoso professor de yoga, em uma denúncia caluniosa feita pela citada ativista. Nem pai nem filho se enquadram no perfil de líderes religiosos, o alvo padrão das acusações de Sabrina. Em vídeo postado por De Rose, no YouTube, dia 1/2/2019, ele expõe o caso.

Sabrina Bittencourt denuncia João de Deus por tráfico de bebês.

Sabrina Bittencourt denuncia João de Deus por tráfico de bebês. — Reprodução

Após uma série de controvérsias nas denúncias feitas por Sabrina ao médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, preso em 2018 – que acumula pena de 60 anos por estupro a 9 mulheres durante atendimentos espirituais – Sabrina Bittencourt postou uma carta no Facebook, em fevereiro de 2019, comunicando que iria se suicidar, fato não comprovado, mas noticiado pela grande mídia, sem o corpo ou atestado de óbito da suposta morte. Ela, anteriormente, forjou outros 2 suicídios.

Sabrina é especialista em histórias mirabolantes ou inverídicas – como uma amnésia no meio de um almoço, um filho super dotado, trabalho numa ONG de grande fama, chip implantado em sua cabeça e vários casos de cura milagrosa usando ervas medicinais. O suicídio foi posto em cheque até por familiares. E mesmo após um ano de sua ‘saída de cena’, Sabrina continua a causar estrago.

De Rose conta que sua atual companheira, Aline Ortega, entrou em contato com Sabrina após ver um vídeo dela na internet, solicitando voluntários para auxiliar no atendimento de vítimas de diversos tipos de abuso. O casal entrou em contato, motivado pelo doloroso processo judicial pela guarda do filho de André, que hoje tem 13 anos (aqui chamaremos de M. para preservar a criança). Até então, não sabiam da amizade entre Sabrina e a mãe de M, Carolina Carvalho.

Em agosto de 2018, relataram a Sabrina a suspeita de que Carolina Carvalho medicasse a criança com ayahuasca, bebida alucinógena usada nos rituais do Santo Daime, desde a mamadeira, segundo testemunhas.  

Carolina é doula, naturóloga e por mais de década foi adepta de seitas que fazem uso de Santo Daime. “É sabido que esse tipo de droga alucinógena, travestida de ferramenta espiritual, a curto e médio prazo não faz bem para todas as pessoas, principalmente para quem já possua algum tipo de desequilíbrio psicológico”, conta André.

Sabrina, em 2018, entrou no grupo ‘Vítimas Unidas’ e passou a fazer as vezes de embaixadora. O grupo foi criado por uma suposta vítima do médico Roger Abdelmassih, Vanuzia Leite Lopes (médico preso desde 2014 e condenado a 248 anos de prisão pelo estupro de 52 mulheres). Vanúzia divide as atividades com Maria do Carmo Santos. Diversas pessoas colaboram com as duas ativistas, relatam denúncias e ajudam no suporte psicológico a vítimas de diversos abusadores. Mas, conforme o casal De Rose/Aline relata, apenas casos que repercutem na grande mídia ganham atenção. 

No mesmo ano de 2018, criou-se uma regra:  Se algum membro do grupo se considerasse vítima ou tivesse alguma suspeita, Sabrina deveria ser comunicada imediatamente. 

Aline, segundo a orientação do grupo, contou para Sabrina que a ex-mulher de De Rose e seu marido, Rodney Zanin, eram discípulos do Guru Prem Baba, também denunciado por Sabrina. Ambos partilhavam das atitudes e pensamentos de Baba. Carolina e Zanin mudaram seus nomes numa iniciação:  Prem Divya e Prem Raghu, respectivamente. Então, Aline se questionou: “Como esses dois poderiam estar inseridos no grupo de vítimas assim como eles?”. E foi o estopim…

Conforme pode-se observar em diversos prints de conversas entre as duas, Sabrina tornou-se ríspida e passou a atacar Aline. O que ela e De Rose ainda não sabiam é que Carolina era amiga íntima de Sabrina. A ativista a ex-mulher de De Rose, expediu um documento, de origem duvidosa, um atestado de escolaridade do menor M., anexado por Carolina no início do processo judicial pela guarda de M., em 2015. 

A situação piorou no mesmo ano, quando Carolina foi com a criança para uma comunidade esotérica em Piracanga, na Bahia, sem dar satisfações ao pai. Desesperado, André pega um avião e vai até a Bahia atrás do filho.  Entrou com mais uma ação, um pedido de busca e apreensão de menor. Conseguiu uma liminar para trazer a criança de volta.

M, naquela época, estava fora da escola. André conseguiu comprovar crime abandono intelectual praticado por sua ex-esposa. Então, recuperou a guarda do filho. Entretanto, por causa do atestado de escolaridade fornecido pela ativista, o menor voltou a morar com a mãe. Sabrina tinha uma parceria com a Clonlara School, uma organização internacional que defende o ensino à distância e fornece certificados. Tivemos acesso à publicação de Carolina no grupo pertencente a Sabrina Bittencourt no Facebook, ‘Escola com asas’, onde Sabrina explicava o procedimento. 

Ao fim da conversa, Aline conta que Sabrina passou a atacá-la, dizendo que a denunciaria para o ministério público. “Vou te denunciar para a polícia federal! Os De Rose irão cair”, esbravejou Sabrina. 

Acusação de Sabrina no Facebook

Acusação de Sabrina no Facebook

Dias depois, surge a primeira acusação de abuso contra André, feita por Sabrina nas redes sociais. Ele não entendia o que estava acontecendo e, em pouco tempo, perdeu quase todos os seus alunos. Sabrina incluía o nome dele com diversos outros supostos abusadores, líderes espirituais, como João de Deus, Prem Baba, Gê Marques e até Luiz DeRose. DeRose pai e DeRose filho foram citados na mesma denúncia de Sabrina. Ela os acusou sem embasamento para tal. “A experiência foi terrível, eu nunca tinha passado por algo semelhante. Isso virou a cabeça da gente.  Virou a vida da gente do avesso, foi bastante desagradável. E basicamente o trabalho acabou, pois, ao invés das pessoas esperarem algum tipo de prova, julgam sem saber. Isso é um pesadelo”, revela. 

Salvo por uma filmagem

A advogada Xarmeni Neves assumiu o caso com o processo já em andamento: “Eles homologaram um acordo, que Carolina nunca cumpriu na integralidade, André pagava a pensão, mas nunca conseguia ficar com o filho”, conta.  

Os advogados anteriores de De Rose cobraram uma fortuna e suas ações não surtiram efeito. Xarmeni, bem sucedida em outras ações de alienação parental, foi indicada por amigos para o caso de André. “Eu propus a ele que a gente deixasse esses processos anteriores ‘no congelador’ (Regulamentação de Visitas, Ação de Alimentos) e ingressasse com uma nova ação, a Ação Declaratória de Alienação Parental. André acreditou e deu certo”, explica.  

Atestado escolaridade emitido por Sabrina

Atestado escolaridade emitido por Sabrina

Numa das visitas de André para buscar o filho, a mãe se negou a entregá-lo. “Quando eu parei o carro para pegar o meu filho, ela surgiu, coisa que nunca fazia, meu filho sempre veio do portão do sítio para o carro sozinho e ela veio apenas de roupão dizendo que por conta do meu atraso M. não viria comigo. Só que eu já tinha chegado lá bem cedo, e ninguém me atendeu”. De Rose viajou 4 horas de São Paulo à cidade de Monteiro Lobato, no interior de São Paulo, para levar o filho para passarem o final de semana juntos. 

André conta que Carolina, então, debruçou-se na janela do carro, que estava com vidro abaixado: “Você tá com raiva de mim, meu bem?”. Sem reagir às provocações, André ficou paralisado e pediu que ela se afastasse. Após um minuto, percebendo que ele não reagiria, passou a gritar acusando-o de ter passado a mão em seu seio, mas não contava com o fato de André estar filmando a cena desde o começo.  

Carolina foi até um posto de saúde com o corpo machucado e arranhado, mas não fez exame de corpo de delito. Posteriormente, houve indicações de que tinha arranhado e machucado o próprio corpo, simulando uma agressão.

André fez exame de corpo de delito e conseguiu, por sorte, recuperar o celular com as gravações, provando que na realidade ele era a vítima. Mesmo com a filmagem, a mãe conseguiu na justiça uma medida protetiva de um ano e o processo de André foi arquivado por falta de provas, o que significou, na prática, que André foi inocentado das acusações.

Mas Carolina não foi incriminada pela falsa acusação e espalhou na comunidade de yoga que André era um homem agressivo, havia apenas se safado da justiça. Mesmo inocentado, ele perdeu praticamente todos os alunos em decorrência da falsa denúncia de acusação de violência doméstica.

Carolina se dedicou a prejudicar sua vida financeira, profissional, pois, com isso, ele não poderia arcar com os custos do processo. “É esse o objetivo do alienador, ele não está nem aí com a criança e o objetivo dele é atingir o outro genitor”, explica Xarmeni, a advogada.

Então, em 2019, Carolina se une a Sabrina Bittencourt para caluniar De Rose. 

Vitórias amargas

André ingressou com nova ação judicial, de Dano Moral e Material, conseguindo provar que Sabrina e Carolina já se conheciam. 

Xarmeni nos conta que Aline e De Rose entraram com uma tutela de urgência, pedido de liminar que antecede o processo principal contra as amigas Carolina e Sabrina, além do marido de Carolina, Rodney e a plataforma Facebook.

O juiz, considerando o princípio da inocência, declara que Sabrina ainda é judicialmente responsável por seus atos, pois não há atestado de óbito e nem provas de sua morte. E, com isso, ele declara que ela não poderia publicar nada sobre André. Ordenou que o Facebook apagasse as postagens difamatórias, num prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de 5 mil reais.

O mais importante ainda estava por vir. Depois de 5 anos batalhando pela guarda do filho, André conseguiu na justiça a guarda unilateral da criança. Carolina foi identificada como alienadora e passou a ter direito de ver a criança apenas de 15 em 15 dias. Posteriormente, fizeram acordo de ampliar esse contato pois, segundo André, ninguém deve ser tolhido da convivência com seu filho. 

Momentos em família recuperados.

Momentos em família recuperados.

“Quem é que ganhou nesse processo? Eu vejo que todo mundo perdeu. Meu filho perdeu. […] eu não consigo sentar ao lado de uma mulher…  se alguma moça senta ao meu lado, eu mudo de lugar e sento ao lado de um homem. Isso criou um trauma em mim. Então eu não me sinto vencedor com o resultado”, lamenta De Rose, referindo-se ao medo de ser novamente acusado injustamente.

Ele explica também o sentimento de ter sido acusado de um crime que não cometeu. “É uma experiência angustiante, as pessoas não querem ver o nosso lado. A gente não tem direito de resposta, só porque fui falsamente acusado, pensam que sou culpado. E apesar de todo mundo ter percebido que eu sou inocente, que eu não fiz nada, ainda sou descartado para trabalhos, não consegui retomar minha profissão”.

Procurada por nossa equipe, Carolina disse que não iria falar. Nos ameaçou de processo, caso publicássemos algo sobre ela. 

 

André De Rose e filho.

Um final feliz…

 

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